O labirinto sem o novelo de Ariadne

12/07/2012 11:31

 

      Triste ver a política externa do Brasil sendo movida por interesses partidários. Houve um tempo, bem recente, no qual o Brasil se pautava por equilíbrio e cautela, com receio de ferir os países da América do Sul com posições que poderiam ser tidas como imperialistas. Esta linha de atuação era visível no trato com o Uruguay e com o Paraguay, este profundamente integrado economicamente conosco. A integração regional foi, por isso, uma previsão da Constituição brasileira; o Mercosul foi sendo então engendrado, construído e exaustivamente negociado de forma a garantir um equilíbrio entre os quatro países, por meio de uma zona de livre comércio. Logo, os governos populistas argentinos começaram a desrespeitar o acordo, impondo situações e regras que se antepunham ao livre comércio, adotando um protecionismo suicida, mas que no curto prazo resultava em dividendos político-partidários para eles. Para a manutenção do Mercosul, o Brasil cedeu, concedeu e permitiu os descalabros argentinos. Afinal, ainda se poderia dizer que o Brasil liderava a região. Este tempo, porém, acabou.

      Ao agir por interesses partidários, o governo da Presidente Dilma deu o primeiro passo para a perda da liderança regional, tornando o Mercosul um acordo vazio, no qual as regras nacionais se sobrepõem às dele. Se a regra de admissão de novos países dependia de consenso, como foi possível decidir pela Venezuela sem o Paraguay estar presente e atuante? Como se pode em um concerto de nações adotar um ato autoritário, que representa o tão abjeto “manda quem pode obedece quem tem juízo”, sem sofrer as conseqüências dele? Se a União Européia podia ser um modelo para o futuro do Mercosul, agora caminhamos em sentido contrário.

      Os ideólogos destes governos brasileiros que se dizem de esquerda, mas não são capazes de regular a atividade de montadoras como a General Motors, exceto quando para o aumento do lucro delas, adentraram o labirinto de Minotauro, sem contar com a ajuda de uma Ariadne. Se a liderança regional era difícil com o Mercosul, se tornará impossível sem ele, que logo será comido pelo Minotauro. As amizades pessoais de Dilma, Lula e outros elementos da República deviam ser cuidadas em churrascos e outros eventos pessoais pagos com o dinheiro pessoal deles; jamais por meio dos negócios do Estado.

Não podemos mais aceitar que o Brasil seja usado como se fosse propriedade de nenhum governante. O velório do Mercosul já começou. O enterro da liderança regional do Brasil já tem data marcada. Perguntem ao Hugo Chaves e à Cristina Kirchner quando e onde vai ser o sepultamento.

 


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