Greves e salários dos servidores

08/08/2012 11:34

 

 

A poucos dias da data limite para a apresentação da Lei do Orçamento de 2013, o movimento grevista dos servidores públicos se agrava. Isso só é possível porque várias carreiras prestam serviços diretamente à população, embora maior número de servidores atue em gabinetes preparando, assinando e enviados papéis.

De um lado,

Há categorias com demandas antigas que os 10 anos de administração pelo governo do Partido dos Trabalhadores não foi capaz de resolver, tais como a dos professores universitários. Há outras carreiras que receberam aumentos reais há três anos, mas que, por causa da inflação, tiveram seu poder de compra reduzido de 15 a 22%. Além disso, temos um governo que faz propaganda ostensiva da “eficiência” da sua gestão econômica, de ser “o exemplo para a Alemanha” e de outras qualidades magnânimas tidas como sérias (apesar de notoriamente se tratarem de bravatas).

Há superávit primário, ou seja, o governo arrecada mais do que gasta – o que não é surpresa tão grande é o nível de impostos. Há, também, a prática do governo, tida como clientelismos por muitos, de abrir mão de impostos de certas indústrias, tais como a isenção de IPI da poderosa indústria automobilística. Além disso, “nunca antes na história deste país” se contratou tanto servidor público. Se faltasse dinheiro para pagar salários, primeiro deveriam paralisar os concursos públicos, mas nem se fala dessa possibilidade, naturalmente, porque da gratidão de um novo concursado haverá um voto a mais para a manutenção do atual partido no Poder. Este panorama não deixa dúvidas sobre a existência de dinheiro para pagar os reajustes de funcionários e para resolver as distorções como as das carreiras dos militares e as dos professores universitários.

Por outro lado,

O serviço público não está melhor do que a 10 ou 12 anos. Não há planos de carreiras que levem ao desenvolvimento do servidor, apenas se contrata, se lota e se abandona o mesmo em um escritório. Em vez de atender demandas urgentíssimas, como a de médicos e de fiscais do meio ambiente, contratam-se auxiliares de escritório para o Ministério da Fazenda, contrariando a tendência mundial de que trabalhos de escritório sejam desempenhados diretamente pelo profissional de nível superior.

As greves já são um reflexo do excesso de contratações, muitas vezes de pessoal superqualificado para os requisitos de determinado concurso (profissional de nível superior em concurso de nível médio ou profissional experiente em cargo que não permite sua atuação independente). O funcionário alcança o topo da carreira em 10 anos e terá de descobrir motivação para permanecer mais 20 a 25 anos naquela posição e com aquele salário. Esta situação, que está sendo agravada pela concentração de contratações nos últimos 8 anos, resultará no envelhecimento conjunto de uma grande massa de servidores, que após os 40 anos de idade terá mais 20 anos de trabalho sem o estímulo do crescimento salarial nem o estímulo da formação adicional em uma pós graduação, já que 40 anos costuma ser o limite para admissão nos melhores cursos de mestrado e doutorado.

O excesso de contratações levará a graves problemas na Administração Pública: primeiro, é possível o surgimento de uma gerontocracia, com restrições ao trabalho dos mais novos; segundo, é possível o isolamento dos mais velhos pelos mais novos; terceiro, é certo que muitos servidores se tornarão “barnabés”, acomodados em seus cantos, fingindo que trabalham e tornando mais burocrático o que hoje já está longe de ser eficiente.

Em Petrópolis,

Vamos cuidar para que o futuro Prefeito não use do mesmo princípio do Governo Federal de angariar votos por meio de concursos públicos, pois a eficiência da máquina pública não depende da contratação de mais gente, mas de ter nela gente mais inteligente.

 


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