Desperdício de dinheiro público

21/06/2013 22:50

 

Sensacional demonstração de Democracia estão sendo as manifestações públicas questionando o gasto, ou o desperdício, de recursos públicos com obras e mais obras que não ficam prontas e cujo resultado para a melhoria da qualidade de vida da população é invisível. Sinal que nem todos se satisfazem com o pão e circo que nos é dado.

Essa festa de obras e mais obras me lembra demais o governo Sarney – 1985 a 1990 – em especial por conta das acusações que determinado partido fazia contra o governo naquela época... O pior é que ninguém, mas ninguém mesmo acredita que quando as estradas, viadutos e brtes ficarem prontos haverá qualquer melhoria de qualidade no trânsito ou para as pessoas.

Mas agora é diferente: são obras da “esquerda”, capiche? Eu é que não consigo identificar se o dinheiro que sai do meu bolso é de direita ou de esquerda, mas certamente quem o está embolsando sabe em que bolso o mete!

Some-se aos protestos da Copa das Confederações o “Movimento pelo Passe Livre” e o resultado logo será chamado: primavera, não, “outono brasileiro!”

Demagogia e alienação

Há alguns anos, trouxe do Museu do Prado uma reprodução oficial do tríptico “Jardim das Delícias”, cerca de 1503, de Hieronymus Bosch. Esta está disponível, claro, na Wikipedia :https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Jardim_das_Del%C3%ADcias_Terrenas . Depois de admirá-la por algum tempo, retirei esta pintura da minha sala porque a realidade brasileira é bem mais surreal.

Soube de uma fabulosa lei estadual feita para proteger os direitos dos animais de rua. Cumpridor da Lei como sou, a partir de agora, vou adotar os seguintes procedimentos:

- vou me desculpar com o bode e os cãezinhos que em matilha atacam os sacos de lixo colocados em cesto alto na calçada; acho que agora vou colocar os sacos no chão mesmo, pois eles têm o direito de comer e ninguém pode negar isso – afinal a sujeira que fica vai ser igual;

- se um desses cãezinhos atacar um filho meu ou transmitir uma doença como a raiva ou a hantavirose, certamente, como não têm dono, a culpa será totalmente minha;

- se avançarem contra mim na rua, fico parado e deixo morder;

- se, por desventura, um desses cãezinhos cruzar a rua e eu, ao frear o carro provocar um acidente com feridos ou mortos humanos, tudo bem, mas se ocorrer o óbito do animalzinho, aí sim eu entro na Delegacia e me tranco na cela, porque animal sou eu de continuar vivendo em um lugar absurdo em que todos têm direitos menos quem paga os impostos. E são os impostos que sustentam, dentre outras rendas, os que nos representam para levar adiante idéias inqualificáveis e fazer delas Leis a favor de ninguém e contra todos. O quadro de Bosch é bem menos violento do que a realidade brasileira.

PS: Já mandei a notícia da Lei carioca pra Portugal e me perguntaram como é que alguém que reconhece que não é capaz de tirar animais das ruas da cidade escreve uma Lei dizendo que assegura direitos a eles? Estão rindo muito por lá.

A verdade, a imprensa e o julgamento precipitado dos leigos

Todo mundo deve ter ouvido reportagens sobre denúncia contra uma chefe de UTI no Paraná, há cerca mais ou menos de 1 ano. Vivo permanentemente me abstendo da vil punção de ir julgando as pessoas por conta das notícias preparadas por repórteres, digamos, ansiosos por criar uma grande manchete, a qual esconde a função de baratear os custos da imprensa. Se é possível usar uma mesma notícia durante uma ou duas semanas, porque não fazê-lo?

Isso é o que tenho visto acontecer. Quanto maior a tragédia, mais barato fica obter audiência. Quantos mais detalhes sórdidos, maior a revolta e mais forte é a busca por novas notícias relacionadas. Se as fontes não são confiáveis, se são pessoas comprometidas pessoalmente, se não há evidências de denúncias prévias no Conselho de Medicina, que importa? Sempre haverá promotores dispostos a aparecer na mídia dando entrevistas que mais parecem sentenças de Juízes. Se promotores concordam com a culpa antes da investigação e não oferecem direito de defesa proporcional, porque seria a imprensa mais real que o Rei?

Leitores são predominantemente leigos e querem mesmo é julgar e condenar, afinal, nada mais viciante do que repetir o ditado preferido do mentiroso: “onde há fumaça há fogo.” Pois bem, mais uma vez a Revista Piauí, edição de junho de 2013, agrada seus leitores trazendo sobre o caso da UTI do Paraná uma reportagem que denota o comprometimento de denunciantes com a denunciada e traz comentários de especialistas em UTI que, no mínimo, retiram a certeza de que a imprensa apenas teria transmitido informações

 

Sérgio Figueiredo.


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