CRISE NO ESTADO AUMENTA ATENDIMENTOS DE PACIENTES FORA DO MUNICÍPIO NAS UPAS CENTRO E CASCATINHA

12/03/2016 17:40

A crise na saúde no Estado do Rio de Janeiro está aumentando a demanda de pacientes de fora do município atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) Centro e Cascatinha. Quinze por cento dos atendimentos nessas unidades são de pessoas de fora da cidade que procuram as urgências de Petrópolis. A informação foi divulgada nesta semana pela secretaria de Saúde e faz parte do balanço de um mês de implantação do Plano de Redimensionamento da Rede de Urgência e Emergência, chamado de “Plano de Salvamento das UPAS”. As mudanças foram colocadas em prática para garantir o funcionamento de todas as portas de entrada do município, uma vez que o governo do Estado está há um ano sem repassar os valores de custeio das UPAS. A dívida já chega a R$ 9,6 milhões.

“O plano vem sendo avaliado e monitorado diariamente pela Câmara Técnica das Urgências e estamos fazendo os ajustes necessários, especialmente neste momento, em que estamos registrando uma procura maior de pessoas que dizem ter sintomas de dengue ou zika. Estamos conseguindo manter todos os salários em dia, não faltam médicos nas UPAS e nem insumos. Estamos fazendo nossa rede de urgência e emergência funcionar sem qualquer suporte do governo do Estado e ainda atendendo pacientes de outros municípios, que têm encontrado suas unidades fechadas ou funcionando de forma parcial”, ressaltou o prefeito Rubens Bomtempo.

Para o secretário de Saúde Marcus Curvelo, a quantidade de pessoas de fora do município sendo atendidos nas UPAS Centro e Cascatinha confirma “o desmonte da política pública de urgência e emergência por parte do governo do Estado”. “A UPA de Piabetá, por exemplo, não funciona plenamente e em alguns dias da semana fica fechada. Isso impacta diretamente no nosso atendimento”, explicou Curvelo, acrescentando que a secretaria vem recebendo mandados judiciais para internações de pacientes de fora da cidade.

Moradora de Xerém, distrito de Duque de Caxias, Ana Maria Cabral recorreu à UPA do Centro de Petrópolis para conseguir atendimento para a filha de 39 anos, que apresentava sintomas de dengue. “Ela foi muito bem atendida. Desde a recepção até o atendimento médico. Fez os exames e não temos do que reclamar. Pelo contrário, só podemos elogiar e agradecer a UPA de Petrópolis pelo atendimento”, disse.

Outro dado importante do balanço divulgado pela secretaria de Saúde é com relação à média de atendimento das UPAS. Em fevereiro, mês em que o plano começou a ser implantado, as unidades atendiam 40% menos do que é preconizado pelas portarias ministeriais que regulamentam o serviço. Em março, apesar do aumento da demanda, os atendimentos ainda estão 16% abaixo do preconizado.

“Em fevereiro, no primeiro mês de funcionamento do Plano de Redimensionamento, a média de atendimento foi de 245 pacientes por dia. Em março, este número subiu para 300 pacientes por dia. Temos capacidade instalada para atender até 350 a 400 atendimentos por dia nas UPAS do porte das que temos na cidade, no Centro e em Cascatinha”, explicou o assessor técnico do secretário de Saúde, Ricardo Patulea, lembrando que hoje, com o redimensionamento, as equipes foram reforçadas. “A portaria determina a quantidade de médicos que devemos ter: cinco no plantão diurno e três no plantão noturno. Em Petrópolis, no entanto, aumentamos esse número. Nas duas UPAS, estamos atendendo com sete médicos 24 horas – sendo quatro clínicos e três pediatras”, disse.

Para Patulea o aumento da demanda das UPAS, mesmo estando abaixo do que preconiza as portarias, é sazonal, conseqüência do grande número de pessoas que vem buscando a rede de saúde declarando sintomas de dengue e zika vírus. “Nesta época do ano é comum haver um aumento no número de casos suspeitos de dengue o que acaba impactando as urgências. Neste ano essa procura está ainda maior, por conta da zika. Um paciente que chega a uma urgência com os primeiros sintomas - os mais leves, como febre baixa e dor no corpo, passa pela triagem e, em geral, é classificado como verde. Aguarda, então, o atendimento médico, que vai pedir exames de sangue para identificar os níveis dos hematócritos e das plaquetas. Esse paciente aguarda o resultado dos exames e depois é encaminhado novamente para o médico. Todo esse procedimento é mais demorado, fazendo com que o paciente fique mais tempo dentro da UPA. É importante lembrar que em caso de sintomas mais graves ele pode receber outra classificação e, em caso de piora, há a reclassificação”, explicou Ricardo. Lembrando que o número de pedidos de exames laboratoriais na UPA Centro, por exemplo, subiu 100% em relação a janeiro. “E não podemos esquecer a crise financeira, que tem feito com que muita gente deixe de pagar convênios médicos particulares e migre para o Sistema Único de Saúde”, ponderou.


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