Colonos sem medo

29/06/2015 01:25

    O mundo é muito grande. Quando alguém diz que visitou um país, ele está certamente mentindo, pois, no máximo, esteve em algumas cidades de lá. Acontece o mesmo aqui, onde poucos - se é que há algum - brasileiros podem falar que conhecem os 5.500 municípios de um Brasil imenso. Para passar um dia em cada um, o brasileiro gastaria mais de 15 anos, sem considerar os tempos de viagens entre as cidades...


    Passei muito tempo longe do Rio de Janeiro. Nesse período, a primeira vez que lembrei de Petrópolis foi quando visitei Firenze, na Itália, lá por 2000. Recordei, agora, que também vi similaridade com a geografia de um único condomínio de Brasília, lá por 1998. Interessante que, não sendo petropolitano de nascença, ainda mantive a cidade como referência de qualidade de vida.


    Vivendo hoje aqui, sei que a cidade é muito mais interessante do que seu exuberante relevo e floresta. Temos, aqui, uma diversidade étnica e cultural muito favorável. Rostos portugueses, caboclos, negros e europeus convivem nos variados níveis socioeconômicos, lembrando muito a cidade do Rio de Janeiro antes de receber as insustentáveis ondas de imigrantes de todas as partes do sertão paupérrimo do nosso Brasil.


    Mas o comportamento do petropolitano é o que mais se destaca. O cuidado em tomar conta da cidade, e da vida dos outros, é um traço que ainda existe lá na Alemanha e que favorece a segurança. De tempos em tempos, vemos a população agir para prender um ladrão, denunciar um traficante ou, bem mais singelo, orientar uma criança mais bagunceira.


    O contraste com o Rio é total. Embora soframos de mazelas idênticas pela falta de ação de governos cada vez mais medíocres e incompetentes, não sofremos do medo aterrorizante que se instalou nas pessoas da cidade do Rio de Janeiro. A coragem, a solidariedade, a preocupação com o coletivo e a falta de medo são o que faz dos descendentes dos colonos e atuais moradores a razão para resistirmos à degradação que assola quase todas as cidades do nosso triste país. Parabéns petropolitano pelo 29 de junho de 2015.

Sérgio Figueiredo


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