Alienação pela falta e pelo excesso da informação

27/02/2013 11:23

 

Assisti esta semana ao filme “Crepúsculo dos Deuses”, de 1950, que trata do ocaso de uma atriz do cinema mudo. Além da qualidade dos atores e da direção de Billy Wilder, chama a atenção o abismo entre a época do monopólio da exibição de filmes apenas nos cinemas e a atual possibilidade de se obter filmes em diferentes mídias que podem ser reproduzidos em diferentes aparelhos. O ocaso da atriz e seu esquecimento pelos produtores de filmes e pelo público são possíveis também hoje em dia, mas não porque os filmes não podem ser vistos.
Por outro lado, o uso de celulares e de computadores para a visão de fotos e filmes tem contribuído para a perda da percepção da qualidade da imagem e do fotógrafo. Hoje, uma pessoa não se detém mais do que “passar os olhos” em uma foto antes de prosseguir impunemente para a próxima imagem. Quem já viu fotos que retratam a fome, a violência ou a morte sabe que a primeira vez é a mais marcante e que quanto mais se repete a exposição a registros do mesmo tipo, menor é o choque ou o constrangimento. Olhar uma foto é como abrir uma porta para uma nova visão, ou era assim. Hoje há uma nova cultura decorrente das novas tecnologias que, se, de um lado, facilitaram o conhecimento do mundo, por outro, incentivam que este conhecimento seja superficial, privado de análise ou de entendimento. Passamos a viver no mundo dos que “viram”, “ouviram dizer” ou “souberam”, mas não são capazes de relacionar os fatos retratados porque com eles não se sensibilizam, pois a cada próxima imagem se sentem menos afetados por elas.
Não tem muito tempo, o videocassete fez com que os cinemas se esvaziassem. Este processo, foi, contudo, revertido nos últimos 20 anos. A questão para qual não vejo resposta é como transformar a ansiedade pela próxima notícia, imagem ou filminho na capacidade de se deter na mensagem, identificar os interesses envolvidos e relacionar qualquer lição que ela contenha com seus próprios valores.
Houve uma época, como na do monopólio do cinema, em que a alienação se dava pela falta de informação; mas quem poderia imaginar que o excesso de informação resultaria também em outro tipo de alienação?

Sérgio Figueiredo

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