A Linha do Tempo

12/06/2013 22:08

 

A gente nasce e vai conhecendo gente. Primeiro, a gente que está ao nosso lado: pais, irmãos, familiares, avós que costumavam ser pessoas idosas, amigos da família e agregados. Depois, na época de escola, aparecem colegas, amigos e seus pais. Na adolescência, chegam as namoradas, mas para muitos, primeiro chegam o chefe e os colegas do trabalho. Em algum momento mais adiante, seguindo a lógica mais saudável, estamos casados e, quanto mais adiante melhor, vêm os filhos. Mais tarde estes passarão por experiência parecida, pois “apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, já dizia o poeta Belchior pela voz de Elis Regina.
O interessante é que antes da mídia de massa, dos registros cinematográficos e da televisão, mesmo da própria fotografia, esta linha de tempo só se tornava visível muito tarde, quando nossos pais passavam a parecer com nossos avós e nós com eles. Hoje, uma criança tem a sua disposição múltiplos registros para melhor entender a duração da vida e os diferentes papéis e responsabilidades de cada etapa. Têm, assim, a possibilidade de compreender os efeitos de atos impensados: sabem que uma gravidez precoce é um obstáculo à realização de planos de estudo, sucesso profissional e conforto na vida; sabem que o abuso do álcool e o uso de drogas ilícitas levam à decadência física e mental; sabem que a direção irresponsável leva a morte – aqui eu acho que as propagandas governamentais de prevenção de acidentes de trânsito são muito leves, talvez pela culpa do governo por não exigir que os carros comercializados no Brasil apresentem equipamentos e estrutura de segurança do mesmo nível que os vendidos na Europa.
Todo o conhecimento que está à disposição do jovem disputa espaço, contudo, com as distrações que a mesma mídia de massa propaga: músicas de conteúdo negativo ou inconsistente nos funks, pagodes e sertanejos; excitação sexual e pornografia; uso de álcool e drogas como coisa inocente; e, o pior, alienação política. Entendo que há tensões do dia-a-dia que merecem momentos de lazer, mas lazer não é necessariamente uma atividade de alienação total. O que transparece é que, devido à imaturidade de nossa sociedade, nem os pais nem os jovens da atual geração querem conviver com a consciência da fragilidade da vida e da sua celeridade. Por isso, convivemos com a barbárie, a violência e a inconseqüência ao nosso lado. Tenho a convicção de que é a certeza de que se vai morrer um dia que pode nos libertar dos costumes medievais que permanecem ceifando vidas e espalhando medo e dor. Somente com o amadurecimento individual é que podemos esperar uma sociedade mais justa e feliz, nesse nosso país e na nossa querida cidade.

 

Sérgio Figueiredo

Eng. Mestre em Desenvolvimento Ambiental Sustentável 



Leia mais: https://www.acordapetropolis.com/colunistas/sergio-figueiredo/
 


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!